agora, neste post, as palavras serão sobre filmes, não livros. mas filmes que tratam de livros, de literatura, de escritores, de histórias. e de amor, é claro, como tudo o que se é produzido culturalmente.
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há pouco mais de mês, assisti ao “coração de tinta”, filme do qual tinha ouvido falar há bastante tempo, mas, preguiçoso que sou, do qual nunca havia ido atrás. até que um dia, na locadora, achei-o e peguei-o. e, meses depois, assisti a ele novamente, pois estava nos canais de filmes da tv a cabo.______
um filme que trabalha muito com o imaginário, com o fantástico no texto literário, que explora muito a metalinguagem. um filme que provém de um livro, de uma narrativa escrita, a qual ainda não encontrei para ler. mas a narrativa áudio-visual proposta no filme, até onde me entendo por leitor e telespectador, é boa, é bem conduzida, é interessante. uma história em que os personagens dos livros lidos durante ela saltam destes livros e surgem como pessoas frente a quem os lia. e quem lia estes livros de onde pulavam personagens era “mo folchart”, o protagonista da história, um “língua de fogo” que percebe tarde demais que, ao ler histórias, os personagens saíam delas para o mundo dele (daí seu apelido já citado). é a partir daí que a história se desenvolve, com cada personagem querendo seus direitos: ou de voltar para as histórias, ou de trazer outros personagens, ou usar e abusar no mundo real. e, como não poderia deixar de ser, o drama da história acontece quando folchart, ao ler a história “o coração de tinta”, e ao ver os personagens daquele livro surgindo a sua frente, vê, ao mesmo tempo, sua esposa desaparecer, sem saber para onde ela foi, pressupondo que ela tenha trocado de lugar com os personagens.
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enfim, uma boa história, bem contada, com um quê de mistério bem encaixado, e que apresenta, ao meu ver, uma boa metáfora dos leitores que somos, ou podemos ser: leitores que dão vida aos personagens.
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se “o coração de tinta” eu já conhecia, ao menos de nome, “de encontro com o amor” eu não tinha conhecimento da existência. até que nice, minha-namorada-apaixonada-por-cinema, trouxe-o para casa num final de semana, garantindo a mim que eu gostaria bastante da história.
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e, de fato, gostei demais, de tudo no filme, com exceção da tradução do nome, que em inglês é “the shadow dancer”. ou seja, nada de encontro com o amor.
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mas tudo bem. é algo superável. eu gosto muito de filmes que tratam da literatura em suas histórias. ou de algo relacionado à literatura, enfim. e “de encontro com o amor” é um desses de que eu gosto por isso. gosto limitado o meu, eu sei, mas não tenho capacidade para avaliar um filme com critério cinematográficos, então contento-me com tal escolha.
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a história deste filme envolve um editor de livros aspirante a escritor, jeremy, que parte para uma difícil missão junto a um escritor consagrado, de quem ele é ídolo: weldon parish. um escritor que, após a morte de sua esposa, há bons 20 anos, resolve abandonar a literatura, não escrevendo mais nada, e despachando editores-chatos que lhe propõem fundos de dinheiro para que ele escreva um novo romance e, consequentemente, venda muito e dê lucros à editora.
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mas parish não tem mais paciência para isso tudo. e por esse motivo mesmo coloca jeremy em situações apertadas e embaraçosas nas insistentes tentativas que o editor lançava para trocar uma palavrinha só com o renomado escritor.
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a história se desenvolve. e não serei eu a contá-la neste breve escrito. se o escritor cede um pouco ou não, se o editor desiste ou não, se a filha do escritor influencia em algo, não mais me recordo para este momento. o que ficou a mim, da história do filme, foram frases, algumas frases. como a que parish lança a jeremy, quando este pergunta ao outro porque ele não escreve mais nada há tanto tempo, no que parish lhe responde: porque eu não tenho mais nada a dizer.
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ponto. não é preciso dizer mais nada, mesmo, depois de uma frase como esta. que me fez lembrar de um texto, escrito pelo alencar, professor de literatura e integrante do grupo de pesquisa do prolij, publicado no jornal “anotícia” há uns meses, no qual, pela fragilidade que minha memória permite, alencar citava raduan nassar para argumentar sobre a importância do escritor saber o momento certo de lançar algo novo, de se escancarar novamente (sim, porque publicar é se encancarar), de escrever para seus leitores; do quanto o silêncio de uma última obra é muito mais interessante aos leitores do que produções novas, porém repetitivas. o título do artigo do alencar era “os inimigos do silêncio”.
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e assistir a “de encontro com o amor” me fez pensar bastante nisso. observar atentamente cada frase do escritor parish: “um livro só pode ser escrito quando se tem algo a dizer”, “escrever vem da experiência. um grande escritor sabe quando não é mais um grande escritor” e “a vida é aproveitar o momento”, (uma frase meio auto-ajuda mesmo, mas que, no contexto do filme, explicada pelo escritor, torna-se impactante) levou-me a pensar na escrita para mim, na minha relação com este ato, de se sentar à frente da tela, da página em branco, do matutar frases e ideias, do rabiscar primeiras linhas. a significação do ato de escrever.
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ah, e onde entra o amor neste filme? não vou contar, não... eu encontrei um amor ali, o amor pela escrita. mas há outro, sim, mais escancarado.
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e, quando este texto sobre filmes e, por tabela, literatura, já estava quase no ponto, parei tudo para assistir ao “clube de leitura de jane austen”, um outro filme que contém elementos literários, no caso, as obras da autora inglesa jane austen._________
até hoje nunca li nada dela. pouquíssimo ouvi falar. sei de “razão e sensibilidade” e “orgulho e preconceito”, mas pelos filmes aos quais assisti, que são provenientes dos livros. e este filme me deixou, é claro, com a curiosidade de lê-la, de conhecer seus romances e, então, de entender melhor o filme. mas não sou do tipo que corre atrás de filmes e livros assim que sabe algo sobre eles. eu dou tempo ao tempo. deixo para chegar neles aos poucos, nos momentos em que me dá um estalo, ou nos momentos em que eles me caiem às mãos.
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como o nome do filme sugere, é um grupo de leitura. cinco mulheres e um homem. nem todos se conhecem quando o grupo inicia, mas todos enfrentam situações, até aquele momento, que se complementam ao estarem juntos. porém, sabemos, relacionar-se é das tarefas mais árduas, então que pequenos conflitos sempre acontecem durante os encontros do grupo. encontros estes que ocorrem uma vez ao mês.
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como são em seis pessoas, definiram seis livros da jane austen. todos leriam todos os livros, mas cada um ficaria responsável por um título, e a cada mês um título seria lido, e um encontro marcado, na casa daquele que ficara responsável pelo livro.
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a ideia do grupo de leitura me atrai muito. foi o que me levou a assistir a este filme. gosto de pensar num grupo de leitura em que os participantes se reúnam para ler, não só para conversar. não é o que acontece no filme, em que eles se reúnem para conversar sobre o que leram individualmente durante o mês. mas assim já está bom também, “louco” de bom.
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o filme é bem conduzido. cada personagem é apresentado aos poucos. cada vida é escancarada na medida em que cada livro é revelado. ou seja, os participantes do grupo de leitura vão percebendo o quanto suas vidas estão próximas das vidas dos personagens dos livros que eles estão lendo. ou seja, aquele limiar entre real e ficção. o que há em um e o que há em outro. aquela coisa do se comportar como vc mesmo, ou como o personagem se comportaria. temas recorrentes nas últimas postagens deste blog.
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não sou bom em esmiuçar as histórias que leio ou assisto. deixo lacunas consideráveis nelas. gosto de levantar ideias somente. e aqui ficam três filmes e três ideias. seus enredos e narrativas, em detalhes, cabe a cada um assistir e entender.
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í.ta**





